O analógico está na moda, mas para além de uma simples tendência, ele se firma como um ato de resistência em um mundo cada vez mais digital e acelerado. A edição do Globo Repórter desta sexta-feira, 3 de outubro, mergulhou nesse universo e mostrou como discos de vinil, cartas escritas à mão e fotografias em papel estão reconquistando o coração das novas gerações.
Vinil: Mais que Música, um Afeto e Inovação
Para o nosso blog, o ponto alto da reportagem foi a conversa com a cantora Liniker. A artista, cujo álbum Caju (indicado a 7 categorias do Grammy Latino 2025) foi gravado analogicamente e lançado em vinil duplo, expressa em palavras a essência dessa paixão:
“Minha paixão pelos vinis começou pela coleção da minha avó. Quando eu era criança e lia as dedicatórias nas capas dos discos, eu ficava encantada e curiosa… O vinil não é só um objeto, ele também é um afeto, o coração de quem escuta”
— Liniker
Liniker, que diz querer seguir sendo uma “cantora analógica” — escrevendo suas músicas à mão em cadernos de composição — resume perfeitamente o valor sentimental e a conexão profunda que o vinil proporciona.

O Resgate da Experiência
A matéria mostrou que a busca pelo analógico é também uma forma de desacelerar. No Recife, o DJ Juniani Marzani (DJ 440), que criou uma festa que só toca vinil e que se tornou Patrimônio Cultural Imaterial da cidade, reforça a ideia:
“Eu considero o vinil um resgate e não uma moda. As pessoas hoje em dia estão muito aceleradas e para ouvir um vinil você pode parar, pegar uma capa, ler as informações e respirar, no meio desse mundo louco em que vivemos. Você toca na música e depois ela toca você.”
Essa “avidez por algo que sai daquilo ali” (do digital), como apontou o antropólogo Bernardo Conde, explica por que fábricas de vinil, como uma que abriu há apenas cinco anos na Região Serrana do Rio de Janeiro, estão apostando no crescimento do mercado.

Além do Vinil: A Vida Analógica como Terapia
O “Globo Repórter” mostrou que o resgate não para no toca-discos. Trata-se de uma onda de valorização do “tempo das coisas” e da experiência tátil:
- Fotografia Analógica: Alunos da UFRJ utilizam chás e cafés para revelação, tornando o processo mais acessível e sustentável. É um exercício de paciência, de esperar o tempo da química e de “lembrar que a vida é, de fato, analógica”.
- Cartas e Vínculos: O Clube do Envelope de Papel, criado por Mariana Loureiro, conecta mais de 4 mil pessoas. A carta é uma pausa, uma amostra de atenção real que exige a rara arte de esperar.
- Jogos de Tabuleiro: Luderias em Belo Horizonte oferecem a chance de amigos e famílias trocarem a tela pela lógica e estratégia, fortalecendo relações no mundo real.
A volta ao analógico, impulsionada pelas novas gerações, é um movimento que busca memória, afeto e conexão em contraposição à velocidade e superficialidade da hiperconexão digital. É o reencontro com o objeto físico, com o processo lento e com a experiência compartilhada.
E você, também encontrou no analógico a sua forma de desacelerar? Qual o seu ritual ao colocar um disco para tocar?


