O “Boom” do Vinil é Tábua de Salvação para as Lojas de Música, defendem Comerciantes

O “Boom” do Vinil é Tábua de Salvação para as Lojas de Música, defendem Comerciantes

Uma reviravolta no mercado musical tem sido uma “verdadeira tábua de salvação” para lojas independentes que vendem formatos físicos. Donos de lojas que pensaram que o vinil estava morto há muito tempo agora celebram a alta nas vendas e a chegada de uma nova geração de colecionadores.

Raymond Stewart, proprietário da Stewart’s Music Shop na Irlanda do Norte, que acaba de celebrar seu 50º aniversário, viu as tendências musicais irem e voltarem.

“Chegamos a jogar fora nossos expositores de LPs, apenas para ter que procurá-los de novo quando a demanda disparou”, conta Stewart.

Há vinte anos, comprar um disco de vinil levantava sobrancelhas. Hoje, o ressurgimento da música em formato físico elevou as vendas a níveis não vistos em 30 anos.

O Renascimento das Lojas Independentes

Esse movimento contribuiu para o renascimento de um pilar do mercado: as lojas de discos independentes. No Reino Unido, o número de lojas independentes atingiu seu pico em 10 anos em 2024, provando que o contato físico com a música é insubstituível.

Stewart revela que, embora os CDs ainda representem a maior fatia de suas vendas, o vinil está fortíssimo nos últimos anos. “Tem sido ótimo, uma verdadeira tábua de salvação e um ânimo para todos nós”, afirma.

“Lojas de Destino”: a Chave do Sucesso

Em tempos desafiadores para o comércio de rua, Stewart acredita que o sucesso das lojas de discos reside em se tornarem “negócios de destino”.

Sua loja, por exemplo, tornou-se um ponto de peregrinação para fãs de Irish Country Music (Música Country Irlandesa) e outros gêneros. “Temos sorte de ter encontrado esse nicho no mercado onde as pessoas viajam de longe para nos visitar”, diz ele.

A força do formato físico foi destacada quando a lenda country irlandesa Daniel O’Donnell visitou a loja de Stewart. Centenas de pessoas lotaram o local para garantir seu novo álbum.

“É incrível, apenas mostra que o produto físico ainda é o que as pessoas querem. Essas lojas são inestimáveis para a indústria musical”, disse O’Donnell.

“Você Lembrará Onde Comprou”

Em Cookstown, a Vanilla Records é um negócio mais recente, fundado por Nico Devito em 2018. Ele concorda que o apelo das lojas independentes é seu caráter especializado.

“As pessoas procuram [as lojas de discos] porque há coisas que você pode encontrar aqui que simplesmente não encontra online”, explica Devito.

A experiência de compra é o grande diferencial:

“Você pode conseguir qualquer coisa com um clique, mas as pessoas estão começando a apreciar a beleza de poder entrar em uma loja e ter aquela experiência de levantar o disco e checar. Você vai se lembrar de onde comprou, mas não vai se lembrar da hora que clicou e comprou algo online.”

Devito relata que sua clientela é diversificada, incluindo colecionadores de longa data que nunca pararam de comprar formatos físicos e uma “grande onda de novos fãs” que estão comprando seu primeiro ou segundo vinil.

Por Que o Vinil Ainda Atrai?

Apesar da popularidade do streaming, o locutor de rádio e aficionado por vinis Ralph McLean explica por que as pessoas ainda se sentem atraídas pelo produto físico:

  1. Conexão Íntima: “As pessoas adoram poder segurar o disco e ler as notas de encarte. Elas amam poder olhar a arte da capa.”
  2. Senso de Posse: “Tenho a sensação de que você não é realmente dono das coisas com o streaming. Parece que é de outra pessoa e você está apenas dando uma ‘espiada’ de leve.”
  3. Qualidade Sonora: Muitos acreditam que ouvir música em vinil é a maneira como o artista pretendia que fosse, devido ao seu som analógico e caloroso.

É um sentimento ecoado por Raymond Stewart, que conclui: “As pessoas estão percebendo que não há nada como o som da agulha no vinil.”


E você, concorda que a experiência de comprar e ouvir um vinil supera a conveniência do digital? Qual foi o último disco que você buscou em uma loja física? Conte para a gente!