O Brasil ficou mais silencioso neste sábado, 13 de setembro de 2025. Aos 89 anos, partiu Hermeto Pascoal, o “Bruxo” da música, internado em um hospital no Rio de Janeiro. Sua família anunciou a despedida com a serenidade que o mestre sempre pregava: “Não deixemos a tristeza tomar conta”.
Hermeto não foi apenas um músico — ele era a própria música. Nascido em Lagoa da Canoa, Alagoas, transformou a condição do albinismo, que o afastou da lida no campo, em um mergulho definitivo no mundo dos sons. Desde cedo, mostrou que tudo podia virar melodia: o assobio do vento, o canto dos pássaros, o barulho da chaleira. Sua genialidade estava em ouvir o invisível e devolver ao mundo uma harmonia que unia natureza, técnica e improviso.

Autodidata no acordeão e em dezenas de instrumentos, Hermeto atravessou décadas quebrando fronteiras. No Quarteto Novo, ao lado de Airto Moreira, Heraldo do Monte e Theo de Barros, redefiniu a música instrumental brasileira. O mundo logo o reverenciou: Miles Davis o descreveu como “o músico mais impressionante do planeta”. Álbuns como Slaves Mass (1976) seguem como testemunhos eternos de sua liberdade criativa.
Seu legado vai muito além de prêmios e títulos — entre eles três Grammy Latinos e Doutorados Honoris Causa. Hermeto nos ensinou que a música não cabe em rótulos. Sua obra foi fusão radical de jazz, frevo, baião, chorinho, música clássica e pura invenção. Um manifesto vivo de que a arte pode nascer em qualquer lugar, desde que o ouvido esteja aberto e o coração disponível.

O fim de sua jornada foi tão poético quanto sua vida: a notícia veio à tona no exato instante em que seu grupo subia ao palco para tocar. A família propôs a homenagem mais justa: “Deixe soar uma nota no instrumento, na voz, na chaleira — e ofereça ao universo”.
Hoje, o silêncio é apenas uma breve pausa. Hermeto Pascoal segue ecoando na improvisação infinita, nos sons cotidianos transformados em música, na celebração da vida através do som. Sua Música Universal continua viva — e continuará, enquanto houver quem escute.



“O homem morre, mas sua obra é eterna”… Vai com Deus, Mestre Hermeto, alegrar os céus !