Você pode não reconhecer a capa de imediato, mas certamente já ouviu as canções que moldaram a carreira de Djavan e marcaram a MPB dos anos 80. Lançado em 1987, o álbum Não é Azul, mas é Mar costuma ser lembrado como uma das pérolas discretas da discografia do artista: sofisticado, ousado e com a marca inconfundível de sua musicalidade.
O Contexto de 1987
O Brasil vivia o processo de redemocratização, e a cena musical se abria para novas experimentações. Djavan, já consagrado por sucessos como “Flor de Lis” e “Lilás”, precisava de um trabalho que consolidasse sua identidade artística internacional. É nesse clima que nasce Não é Azul, mas é Mar, um disco que revela a amplitude do seu talento e a recusa em se limitar a um único rótulo.

Faixas Inesquecíveis
O álbum reúne verdadeiras joias. A sofisticada faixa-título mostra o lirismo e a ousadia harmônica de Djavan. “Soweto” é um grito de solidariedade contra o Apartheid, trazendo a luta africana para o centro da música popular brasileira. Já “Navio” expõe a veia poética e afetiva do artista, enquanto “Dou-não-dou” e “Florir” exploram o refinamento rítmico que se tornaria uma de suas marcas registradas.
Uma Produção à Altura
O disco teve produção de Ronnie Foster, nome respeitado do jazz-funk internacional, e co-produção de Djavan, o que garantiu um equilíbrio entre a sofisticação de arranjos globais e a essência brasileira do artista. O resultado é uma sonoridade que mescla samba, jazz, pop e música africana, criando uma atmosfera etérea e contemporânea. As cordas, os metais e a percussão dialogam em perfeita sintonia, transformando cada faixa em uma experiência singular.

A Importância do Álbum
Mais do que um simples lançamento, Não é Azul, mas é Mar representa um ponto de virada: foi nele que Djavan reafirmou sua liberdade criativa e se consolidou como um artista capaz de transitar entre a tradição brasileira e a modernidade internacional. Mesmo sem ter sido seu maior sucesso comercial, o disco abriu caminho para obras que viriam a se tornar clássicos definitivos.
Djavan Fala do Álbum
E nada melhor do que ouvir do próprio mestre. No vídeo em destaque, Djavan comenta os bastidores e revela detalhes sobre a criação do disco — uma oportunidade rara de mergulhar diretamente nas intenções e emoções de quem compôs essas canções atemporais.


